terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Tudo vai bem em Spittown

Eu estava sentado perto do balcão quando ouvi a primeira explosão. Os idiotas ao meu redor correram todos para a rua, só para se certificarem do que estava acontecendo. A porra da revolução começara. Não levantei por um tempo, fiquei apenas observando meu copo enquanto o girava entre as mãos, o suor da cerveja me lembrou do suor da putinha que tracei ontem a noite. Ela tinha uma pele bem clara e um cabelo dourado, não lembro direito do seu rosto e é claro que depois de uma garrafa inteira de uísque ela nunca se lembraria do meu; talvez apenas da cicatriz.
Virei o restante da cerveja, que desceu suave como a noite, em minha garganta, e levantei. Os fanáticos filhos da puta estavam perto, os ditos revolucionários, “revolucionários” de merda, digo eu. Um bando de retardados que querem mudar o governo só com bombas e munição, e não com idéias. O governo é uma droga sem jeito, eu sei muito bem, mas sem idéias nada vai mudar.
As bombas explodem cada vez mais perto e os gritos do povo eclodem pelas ruas.
Vou até a porta do bar e saco minhas duas pistolas, é hora de parar os cretinos. Afinal, o governo me paga para isso. Governo cretino.

3 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

Mateus,

Um livro relacionado com este post talvez seja "Animal Farm" de George Orwell.

Muito obrigado pela paciência ao ler Os Portugas.

Marguerita disse...

"E sabe-se lá que lugar é esse, mas CREIO que vai. Entropia, talvez."

Gostei da interpretação!
Imagine um mundo sem guerras causadas pela religião?
Nem um Deus é maior que outro nem ninguém é melhor que outra pessoa e segue o baile!
;)
Bjo e obrigada por passar pelas minhas bandas.

isabella ferraro disse...

Belo título e belo trabalho, Mateus. É o conteúdo e (sem ser hipócrita) a extensão do que penso que um blog deve trazer hoje em dia. Congrats!