A tempestade se aproxima rápida e me engole de tal forma que
fico desnorteado e sem rumo. A escuridão é enorme, as fortes gotas de chuva e o
vento implacável quase me levam ao chão. Coloco a mão ao meu peito e sinto a frieza
da medalha que está pendurada ao meu pescoço por uma corrente, dada pela mulher
amada. Aperto a medalha com toda a força que me resta, ela me faz lembrar dos
tempos de sol e calor, me faz lembrar dos motivos pelos quais tenho que
continuar em pé e lutar, ela me faz lembrar da esperança. Então levanto a
cabeça e encaro as intempéries de frente, sem medo do que esta por vir, sem
medo do escuro.
Sei que a frente um céu dourado me espera, eu preciso apenas
me manter de pé e caminhando. Todo o sofrimento é momentâneo e preciso seguir em
frente para que venham novos dias gloriosos, para que eu possa novamente ouvir
o doce e prateado canto da cotovia.
Eu ando através da tempestade, através dos ventos, vejo
raios formidáveis rasgarem os céus, e ainda assim eu vejo meus sonhos se tornarem
realidade, pois mesmo sem ninguém ao meu lado, eu nunca andarei sozinho. Eu me
sinto abraçado pela tempestade, mas sinto muito mais a presença bela e
reconfortante da minha amada ao lado, e isso me faz continuar andando.
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