segunda-feira, 11 de maio de 2009

Minha meia direita

No meu tempo as mulheres tinham cabelos. Meu tempo se foi. Hoje a Colônia controla todo mundo, dizem agora que é um mundo unificado. Sem guerras, sem desigualdade. O preço da paz é a perda da liberdade, algo como a morte.
A Colônia assumiu o fardo de controlar o mundo logo após os países entrarem em crise, isso foi há muito tempo, poucos se lembram do real motivo da crise. Todos os artigos e livros escritos sobre isso desapareceram. A Colônia também controla a mídia e as editoras. Depois da crise uma guerra de proporções gigantescas assolou todo o mundo. A única solução encontrada para acabar a guerra foi entregar o controle dos governos para um único governo mundial.
O primeiro ato deles foi tomar todo o poder sobre os bancos mundiais e todas as empresas passaram a ser controladas por eles. Depois veio a igualdade social, antes havia os ricos e os pobres, hoje há apenas os pobres. Todos se vestem pobremente igual, corte de cabelo igual, sapatos iguais. Nossas casas são todas parecidas e somos praticamente escravos em nossos empregos, para ganhar a mesma coisa.
Poucos anos antes eu me rebelei à Colônia, criei a Ordem da Meia Direita. Uma ordem de guerrilha para arraigar membros não satisfeitos com o sistema. Todos os membros são identificados pela meia direita, não posso dizer qual, mas elas tem uma peculiaridade que fazem os membros se reconhecerem.
A ordem se tornou grande em pouco tempo, devido a grande massa insatisfeita com o governo mundial. Mas eu consegui a muito custo que todos os membros fossem leais, era difícil alguém não amigo entrar nela. Escolhi entre os melhores para serem líderes e espalharem a ordem para outro canto. Criei um grupo especializado em assassinatos, um grupo especializado em infiltrações políticas e um grupo de formação de novos cidadãos. Tudo planejado meticulosamente, tudo as escondidas. Hoje tenho membros infiltrados entre os poderosos governantes, creio que em pouco tempo minha ordem será um segundo poder no mundo e terá força para bater de frente com a Colônia. Mas não estaria eu substituindo um poder unitário por outro? Quem duvidar de mim estou em plena disposição de ter meu pescoço degolado.

2 comentários:

Nina Ferreira disse...

Nossa, quanto poder!
Estou com medo de você...
Ainda somos amigos, não é?

Mateus Henrique Zanelatti disse...

Depende da sua meia.