quarta-feira, 1 de julho de 2009

Reflexos de um sonho

Acordei assustado, suando frio, procurando por algo que no íntimo sabia que não estava ali. Relaxei um pouco, foi apenas mais um sonho, um estranho sonho que vem se repetindo há alguns dias. Isso me deixa um pouco preocupado. Levanto, visto minhas calças e camisa, sei que se continuar deitado o sono vai demorar a chegar. São duas horas da madrugada, olho pela janela, vejo uma noite agradável lá fora. Acordo meu cachorro labrador e com uma disposição canina ele me acompanha em uma caminhada pelas ruas.
Penso em meu sonho. Nele estou sozinho em meio a um grande deserto, desesperado procurando por abrigo e água; ando a passos rápidos, ora tropeçando em algum galho seco enterrado na areia escaldante. Cada vez mais desolado continuo caminhando, pois sei que se parar será o fim. Encontro mais alguns galhos pelo caminho e alguma ossadas de animais, isso me faz pensar que outrora esse deserto fora uma floresta. Imagino, em meu sonho, essa floresta com árvores tão altas que quase alcançam as nuvens, regatos de águas límpidas que saciam a sede dos habitantes, vales cheios de vida, animais e plantas tão exóticos que nos enchem os olhos com suas cores vibrantes. Nesse momento volto ao deserto e caio de joelhos, meu coração me diz que o mundo inteiro se transformou nessa desolação de areia, não existem mais florestas, campos e vales verdes, tudo se foi, e a culpa foi minha. É nesse momento que acordo.
Nunca pensei seriamente nessa questão do meio ambiente. Claro que faço minha parte, separando o lixo reciclável, não jogando produtos químicos em qualquer lugar, nunca cortei uma árvore ou matei algum animal. Quanto às questões maiores, como o desmatamento, por exemplo, sempre achei que era da competência dos governantes, os quais sempre critico, porque o que se vê nos telejornais é que a degradação do meio ambiente sempre aumenta. Mas ora, será que adianta ficar apenas criticando e nada mais? Será que não posso fazer algo mais do que só a “minha parte”?
A rua está vazia a essa hora, vez ou outra passa um carro acelerado, a cidade está adormecida. Mas eu estou abalado, continuo caminhando e pensando nas coisas ruins que acorrem ao nosso planeta. Tanta poluição, acúmulo de lixo, vazamentos de óleo no mar, extinção das espécies, desmatamento. Há quanto tempo isso vem ocorrendo? Acho que há décadas, e aumenta cada vez mais.
Lembro que outro dia li um artigo que falava a respeito de uma reunião entre os países mais poluidores para resolverem esse problema degradante e, nessa reunião, alguns países deixaram bem claro que até o ano de 2050 suas indústrias não poluirão mais. Só que até então, penso eu, esse ano continuaremos respirando sua fumaça. O planeta irá agüentar até esse longínquo ano? Eu não gostaria de viver em um deserto escaldante como o do meu sonho. Já decidi. Amanhã mesmo vou entrar em contato com algumas ong´s e empresas especializadas para me informar sobre o que eu posso fazer para ajudar meu planeta. Com certeza há alguma coisa a ser feita por nós em pró ao meio ambiente.
Meu labrador mostra sinais de cansaço, pobrezinho, eu o fiz caminhar demais. Volto para minha casa e minha cama. E com a consciência tranqüila volto a dormir, sem sonhos.


Nota: Escrevi este texto para um concurso de crônicas, obviamente não ganhei. ::)

5 comentários:

Ana Karenina disse...

Ah, não tenha dúvidas de que há muito a ser feito.
E não tem essa de que já não tem mais graça tocar nesse assunto, porque tem sim. Não teria se não houvesse nenhum tipo de poluição ou qualquer outro tipo de degradação da natureza.
Cuidar do planeta é uma questão de inteligência.

Ora Bolhas disse...

você tocou num ponto interessante, pelo menos chegou a sugerir entrar em contato com as ong's e empresas especializadas.
O que tira o interesse no assunto é que muito se fala e pouco se faz, e o que reclama que pouco se faz nunca fez é nada.
Me diz, tinha assistido Mad Max antes de escrever? hahahahaha.

quanto ao seu comentário no TCL respondo aqui:
Mateus, os personagens são na verdade todos abstratos e qual ser mais abstrato e cheio de sabedoria que Deus?
Ótima sacada! Eu pensei em uma figura espiritual conhecida e de credibilidade para poder vender sentimentos e Deus se encaixa perfeitamente nesse papel... sem contar que Deus volta e meia tem participações no blog.
heauehauehaueha

abraços!

ps.: favoritei teu blog lá.

MargueRita disse...

É...Este meio ambiente.

E que critérios usaram neste concurso?
rs!

Bjoos

Mateus Henrique Zanelatti disse...

Ana: concordo com você, faço (ou tento fazer) minha parte para "cuidar" da natureza, massss acho que o planeta já está condenado.
Bolhas: Realmente pouco se faz, o ser humando é um infeliz.
Rita: Não sei que critérios usaram, e na verdade nunca me interessou saber, eu só escrevi por escrever...

Grandes abraços!

Marcos Satoru Kawanami disse...

Mateus,

"Cuidar do planeta é uma questão de inteligência."

faço minhas as palavras da Ana, e acrescento: é até uma questão de instinto, ora, e não é um dos instintos o instinto de sobrevivência?

puts! redundei... mas é, uai!

=D
marcos